27 de set. de 2008

Camilo Castelo Branco

Camilo Castelo Branco


Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco foi um escritor português. Nasceu em Lisboa, no Largo do Carmo, a 16 de Março de 1825.Foi um escritor português da terceira fase romântica de Portugal, além de cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor.Teve uma vida atribulada, passional e impulsiva. Uma vida tipicamente romântica.Foi um escritor da segunda fase do romantismo em portugal.

De uma família da aristocracia de província, era filho de Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco.Foi registrado como "filho de mãe incógnita", pelo que se diz, porque o seu pai e a sua avó não queriam que o nome Castelo Branco estivesse envolvido com alguém de tão humilde condição,pois sua mãe não se casou com seu pai.

Foi órfão de mãe quando tinha um ano de idade e de pai aos dez anos, o que lhe criou um carácter de eterno insatisfeito com a vida. Estando órfão, foi recebido por uma tia de Vila Real, e depois por uma irmã mais velha, Carolina Rita Botelho Castelo Branco, em Vilarinho de Samardã, em 1839, recebendo uma educação irregular através de dois padres de província. Como era uma criança sensível e muito inteligente, vai sofrer grandes perturbações com todos os acontecimentos da sua infância. Na sua adolescência formou-se lendo os clássicos portugueses e latinos, literatura eclesiástica e em contacto com a vida ao ar livre transmontana.

Com apenas dezesseis anos (1841), Camilo casa com Joaquina Pereira de França e instala-se em Friúme (Ribeira de Pena). O casamento precoce parece ter sido resultado de uma mera paixão juvenil, não tendo resistido muito tempo. No ano seguinte prepara-se para ingressar na Universidade, indo estudar com o Padre Manuel da Lixa, em Granja Velha.

O seu carácter instável e irrequieto leva-o a amores tumultuosos Logo ele vai viver com Patrícia Emília.quando publicou n'O Nacional, correspondências contra José Cabral Teixeira de Morais, governador civil. Devido a esta desavença é espancado pelo ‘’Olhos-de-Boi’’, capanga do governador. Camilo abandona Patrícia nesse mesmo ano, fugindo para casa da irmã, residente agora em Covas do Douro.

Camilo tenta então o curso de medicina no Porto que não conclui, optando depois por Direito. A partir de 1848 faz uma vida de boêmia repleta de paixões, repartindo o seu tempo entre os cafés e os salões burgueses, dedicando-se entretanto ao jornalismo.

Apaixona-se por Ana Plácido, e quando esta se casa, tem, de 1850 a 1852, uma crise de misticismo, chegando a frequentar o seminário que depois abandona. Ana Plácido tornara-se mulher de um negociante de seu nome, Pinheiro Alves, um brasileiro que o inspira como personagem em algumas das suas novelas, muitas vezes com carácter depreciativo. Seduz e rapta Ana Plácido e, depois de algum tempo a monte, são capturados pelas autoridades e depois julgados. Naquela época o caso emocionou a opinião pública pelo seu conteúdo tipicamente romântico do amor contrariado, que se ergue à revelia das convenções e imposições sociais. Presos na cadeia da relação do Porto, escreveu Memórias do Cárcere, tendo conhecido o famoso delinquente Zé do Telhado. Depois de absolvidos do crime de adultério (curiosamente, o juiz que os absolveu era pai de outra grande figura das letras, Eça de Queirós), Camilo e Ana Plácido passam a viver juntos, contando ele trinta e oito anos de idade.

Entretanto, Ana Plácido tem um filho, teoricamente do seu antigo marido, ao que se somam mais dois de Camilo. Com uma família tão numerosa para sustentar Camilo vai escrever a um ritmo alucinante.

Quando o ex-marido de Ana Plácido, falece em 1863, o casal vai viver para a sua casa, em São Miguel de Seide. No mesmo ano, nasce em Lisboa o segundo filho do casal, Jorge, que viria a criar-lhe sérios problemas, com o seu alcoolismo crônico.No ano seguinte, já instalados em São Miguel de Ceide, nasce o terceiro filho, Nuno, que viria, também ele, a manifestar comportamentos desregrados durante a juventude. Ao longo destes anos, Camilo desenvolve uma intensa actividade literária, ganhando notoriedade pública como escritor.Posteriormente, a 9 de Março de 1888 casa-se finalmente com Ana Plácido.

Camilo passa os últimos anos da sua vida ao lado de Ana Plácido, não encontrando a estabilidade emocional que ansiava. As dificuldades financeiras, e os filhos dão-lhe enormes preocupações: considera Nuno irresponsável e Jorge sofre de uma doença mental.A progressiva e crescente cegueira (causada pela sífilis), impede Camilo de ler e de trabalhar capazmente, o que o mergulha num enorme desespero.

Depois da consulta a um oftalmologista que lhe confirmara a gravidade do seu estado, em desespero desfere um tiro de revólver na têmpora direita, ás 15h15 de 1 de Junho de 1890, acabando por morrer às 17h00 desse mesmo dia.Quase duas horas sofrendo até a morte.

A obra de Camilo é, em grande parte, um reflexo do seu próprio percurso biográfico. A agitação, a instabilidade, os raptos, o conflito entre a paixão e a razão que encontramos nas novelas de Camilo, encontramo-los igualmente na vida de Camilo. Por outro lado, como profissional das letras que era, Camilo não pôde ignorar os apelos do seu público, que os editores traduziam sob a forma de pressões incontornáveis. Camilo vivia da escrita, e para isso precisava vender, o que implicava obedecer de alguma maneira às solicitações do público leitor. É essa sujeição aos gostos dominantes que explica também a "conversão" naturalista, detectável nas últimas obras de Camilo.

Principais Obras:

Poesia Satírica

  • Pundonores desagravados

Novela

  • Anátema
  • A queda de um anjo
  • Onde está a felicidade?
  • Amor de Perdição
  • Amor de Salvação
  • Coração, cabeça e estômago
  • Novelas do Minho
  • Eusébio Macário
  • A corja
  • A brasileira de Prazins

  • A sua obra mais famosa é Amor de Perdição.Conta a história de amor entre Simão e Teresa,separados por famílias rivais.

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