a·byss·al 1. of or like an abyss; immeasurable; unfathomable. 2. of or pertaining to the biogeographic zone of the ocean bottom between the bathyal and hadal zones: from depths of approximately 13,000 to 21,000 ft. spec·ter 1. a visible incorporeal spirit, esp. one of a terrifying nature; ghost; phantom; apparition. 2. some object or source of terror or dread: the specter of disease or famine.
9 de mar. de 2009
Castro Alves
Faz estudos secundários no Ginásio Baiano.Entra em Direito(Recife),onde já começava sua campanha abolicionista,da qual,junto com Tobias Barreto,será o líder.Apaixona-se loucamente por Eugênia Câmara,atriz portuguesa, se tornando amante dela em 1866,e para ela escreve a peça Gonzaga ou Revolução de Minas,encenada em Salvador e depois em São Paulo, no qual conseguiu consagrar as duas grandes causas de sua vocação. No dia 29 de maio, resolveu partir para Salvador, acompanhado de Eugênia. Na estréia de Gonzaga, dia 7 de setembro, no Teatro São João, foi coroado e conduzido em triunfo.
Em janeiro de 1868, embarcou com Eugênia Câmara para o Rio, sendo recebido por José de Alencar e visitado por Machado de Assis. A imprensa publica troca de cartas entre ambos, com grandes elogios ao poeta. Em março, viajou com Eugênia para São Paulo. Decidira ali - na Faculdade de Direito de São Paulo - continuar seus estudos, e se matriculou no 3º ano do curso de Direito.
Continuou principalmente a produção intensa dos seus poemas líricos e heróicos, publicados nos jornais ou recitados nas festas literárias. A 7 de setembro de 1868, fez a apresentação pública de Tragédia no ma, que depois ganharia o nome de O navio negreiro. No dia 25 de outubro, foi reapresentada sua peça Gonzaga no Teatro São José.
Desfaz-se em 28 de agosto de 1868 sua ligação com Eugênia Câmara. Castro Alves foi aprovado nos exames da faculdade de Direito e a 11 de novembro. Tuberculoso, aventara uma estadia na cidade de Caetité, onde moravam seus tios e morrera o avô materno (o Major Silva Castro, herói da Independência da Bahia). Lá, resolveu realizar uma caçada e feriu o pé com um tiro. Disso resultou longa enfermidade e algumas cirurgias, chegando ao Rio no começo de 1869, para salvar a vida, fazer uma amputação.
Em março de 1869, matriculou-se no quarto ano do curso jurídico, mas em 20 de maio, tendo piorado seu estado, decidiu viajar para o Rio de Janeiro, onde seu pé foi amputado em junho. No dia 31 de outubro, assistiu a uma representação de Eugênia Câmara, no Teatro Fênix Dramática. Ali a viu por última vez, pois a 25 de novembro decidiu partir para Salvador.
Mutilado, estava obrigado a procurar o consolo da família e os bons ares do sertão.Em fevereiro de 1870 seguiu para Curralinho para melhorar a tuberculose que se agravara, viveu na fazenda Santa Isabel, em Itaberaba. Em setembro, voltou para Salvador.
Sua última aparição em púbico foi em 10 de fevereiro de 1871 numa récita beneficente. Morreu às três e meia da tarde, no solar da família no Sodré, Salvador, Bahia, em 6 de Julho de 1871.
28 de out. de 2008
Álvares De Azevedo
Em 12 e Setembro de 1831, nascia em São Paulo, Manuel Antônio Álvares de Azevedo. Filho de Inácio Manuel Álvares de Azevedo e Maria Luiza Mota Azevedo,.Foi um escritor da segunda geração romântica (Ultra-Romântica, Byroniana ou Mal-do-século), contista, dramaturgo, poeta e ensaísta brasileiro e teria nascido na sala da biblioteca da Faculdade de Direito de São Paulo; porém, foi constatado que o nascimento se deu na casa do avô paterno, Severo Mota. Fortemente influenciado por Lord Byron e Musset, Álvares de Azevedo inseriu em suas poesias elementos da linguagem desses escritores. A melancolia e a presença constante da morte eram temas perenes em suas obras.
Filho de família ilustre, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1833, e em 1840 ingressou no Colégio Stoll; retornando a São Paulo em 1844. Regressou para o Rio de Janeiro no ano seguinte e matriculou-se no Colégio Pedro II. Finalmente, em 1848 entrou para a Faculdade de Direito de São Paulo,onde desde logo ganhou fama por brilhantes e precoces produções literárias. Destaca-se pela facilidade de aprender línguas e pelo espírito jovial e sentimental.
Durante o curso de Direito, traduz o quinto ato de Otelo, de Shakespeare; traduz Parisina, de Lord Byron; funda a revista da Sociedade Ensaio Filosófico Paulistano (1849); faz parte da Sociedade Epicuréia; inicia o poema épico O Conde Lopo, do qual só restaram fragmentos.
Torna-se amigo íntimo de Aureliano Lessa e Bernardo Guimarães, também poetas e célebres boêmios, prováveis membros da Sociedade Epicuréia. Sua participação nessa sociedade secreta, que promovia orgias famosas, tanto pela devassidão escandalosa, quanto por seus aspectos mórbidos e satânicos, é negada por seus biógrafos mais respeitáveis. Mas a lenda em muito contribuiu para que se difundisse a sua imagem de "Byron brasileiro".
Álvares de Azevedo era de pouca vitalidade e o desconforto das repúblicas aliado ao esforço intelectual intenso, enfraqueciam sua saúde. Entre 1851 e 1852, manifestou-se a tuberculose pulmonar, agravado por uma lesão ocasionada numa queda de cavalo ocorrida no mês anterior que traz à tona um tumor na fossa ilíaca. Sofrendo dores terríveis, é operado - sem anestesia, atestam seus familiares - e, após 46 dias de padecimento, vem a falecer no Domingo de Páscoa, 25 de abril de 1852. Seu corpo foi enterrado no cemitério Pedro II, na Praia Vermelha; em 1854, foi transladado para o cemitério São João Batista.
Se eu morresse amanhã foi escrita dias antes de sua morte e lida no enterro por Joaquim Manuel Macedo. Álvares de Azevedo era amigo de Bernardo Guimarães, Aureliano Lessa e José Bonifácio; com que dividiu as acomodações da Chácara dos Ingleses, em São Paulo.
Entre 1848 e 1851, publicou alguns poemas, artigos e discursos. Depois da sua morte surgiram as Poesias (1853 e 1855), cujas edições sucessivas uniram-se aos outros escritos, alguns dos quais publicados antes em separado. As obras completas, como as conhecemos hoje, compreendem: Lira dos vinte anos, Poesias diversas, O poema do frade e O conde Lopo, poemas narrativos; Macário, "tentativa dramática"; Noite na taverna, contos fantásticos; a terceira parte do romance O livro de Fra Gondicário; os estudos críticos sobre Literatura e civilização em Portugal, Lucano, George Sand, Jacques Rolla, além de artigos, discursos e 69 cartas.
Preparada para integrar As três liras, projeto de livro conjunto de Álvares de Azevedo, Aureliano Lessa e Bernardo Guimarães, a Lira dos vinte anos é a única obra de Álvares de Azevedo cuja edição foi preparada pelo poeta. Vários poemas foram acrescentados depois da primeira edição (póstuma), à medida que iam sendo descobertos.
Características Gerais:
Ora puro e casto, carinhoso e dedicado à mãe e à irmã, ora retratado perverso como algum de seus personagens, Álvares de Azevedo é sempre motivo de controvérsia. A verdade suprema que podemos dizer sobre isso é que Álvares de Azevedo era um adolescente, e como todos os outros, arrebatado pelos impulsos e devaneios da juventude, manifestando em sua obra a contradição que talvez ele mesmo sentisse como jovem. Ainda mais importante do que a binômia de sua vida é a binômia de sua obra, que deve ser estudada com toda cautela que merece uma leitura de Álvares de Azevedo.
Perfeitamente enquadrada nos dualismos que caracterizam a linguagem romântica, essa contradição é visível nas partes que formam sua obra principal, Lira dos Vinte Anos. A primeira e a terceira partes da obra mostram um Álvares adolescente, casto, sentimental e ingênuo. Já a segunda parte apresenta uma face irreverente, irônica, macabra e por vezes orgíaca e degradada de um moço-velho, isto é, um jovem em conflito com a realidade, tragado pelos vícios e amadurecido precocemente.
A obra de Álvares de Azevedo apresenta linguagem inconfundível, em cujo vocabulário são constantes as palavras que expressam seus estados de espírito, a fuga do poeta da realidade, sua busca incessante pelo amor, a procura pela vida boêmia, o vício, a morte, a palidez, a noite, a mulher….Em muitas de suas obras a noite ocupa um lugar principal,tanto na ficcção como na poesia.
Obras
1853 Poesias de Manuel António Álvares de Azevedo, Lira dos Vinte Anos (única obra preparada para publicação pelo autor) e Poesias diversas;
1855 Obras de Manuel António Álvares de Azevedo, primeira publicação da sua prosa (Noite na Taverna);
1862 Obras de Manuel António Álvares de Azevedo, 2ª e 3ª edições, primeira aparição do Poema do Frade e 3ª parte da Lira.
1866 O Conde Lopo, poema inédito.
Merece um Destaque Especial a "Lira dos Vinte Anos", composta de diversos poemas. A Lira é dividida em três partes, sendo a 1ª e a 3ª da Face Ariel e a 2ª da Face Caliban. A Face Ariel mostra um Álvares de Azevedo ingênuo, casto e inocente. Já a Face Caliban apresenta poemas irônicos e sarcásticos.
Fagundes Varela
Fagundes Varela
Breve Biografia
Luís Nicolau Fagundes Varella, (Rio Claro, 17 de agosto de 1841 — Niterói, 18 de fevereiro de 1875) foi um poeta brasileiro, e patrono na Academia Brasileira de Letras. Tve a infância e a juventude comprometidas por problemas de ordem cardíaca, fato que o levou a concluir os estudos primários de forma irregular.
Poeta romântico e boêmio inveterado, Fagundes Varella foi um dos maiores expoentes da poesia brasileira, em seu tempo. Tendo ingressado no curso de Direito (e freqüentado as faculdades de São Paulo e Recife), abandonou o curso no quarto ano. Foi a transição entre a segunda e a terceira geração romantica.
Casando-se muito novo (aos vinte e um anos) com Alice Guilhermina Luande, filha de dono de um circo, teve um filho que veio a morrer aos três meses. Este fato inspirou-lhe o poema "Cântico do Calvário", expressão máxima de seus versos, tão jovem ainda. Sobre estes versos, analisou Manuel Bandeira:
"...uma das mais belas e sentidas nênias da poesia em língua portuguesa. Nela, pela força do sentimento sincero, o Poeta atingiu aos vinte anos uma altura que, não igualada depois, permaneceu como um cimo isolado em toda a sua poesia."
Casou-se novamente com uma prima - Maria Belisária de Brito Lambert, sendo novamente pai de duas meninas e um menino, também falecido prematuramente, o menino morreu aos 11 anos.
Embriagando-se e escrevendo, viveu até a morte ainda jovem, às custas do pai, boa parte do tempo no campo - seu ambiente predileto.
Fagundes Varella morreu com 34 anos de idade.
Obras
- Noturnas - 1861
- Vozes da América - 1864
- Pendão Auri-verde - poemas patrióticos, acerca da Questão Christie.
- Cantos e Fantasias - 1865
- Cantos Meridionais - 1869
- Cantos do Ermo e da Cidade - 1869
- Anchieta ou O Evangelho nas Selvas - 1875 (publicação póstuma)
- Diário de Lázaro - 1880
Em 1878 seu amigo Otaviano Hudson organizou Cantos Religiosos, cuja publicação destinava-se a auxiliar sua viúva e filhas.
Meus oito anos
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é - lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d'amor!
Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
Oh ! dias da minha infância!
Oh ! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!
.........................................................................................
Oh ! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Casimiro De Abreu - Segunda fase do romantismo brasileiro
Casimiro de Abreu
Breve Biografia
Filho de um abastado comerciante e fazendeiro português, e de Luísa Joaquina das Neves, uma fazendeira viúva. A localidade onde nasceu, Barra de São João, é hoje distrito do município que leva seu nome, e também chamada "Casimirana", em sua homenagem. Recebeu apenas a instrução primária no Instituto Freeze, em Nova Friburgo, então cidade de maior porte da região serrana do estado do Rio de Janeiro, e para onde convergiam, à época, os adolescentes induzidos pelos pais a se aplicarem aos estudos. Casimiro, no entanto, só cursou naquela cidade a instrução primária, dos onze aos treze anos.
Aos treze anos transferiu-se para o Rio de Janeiro para trabalhar com o pai no comércio. Com ele, embarcou para Portugal em 1853, onde entrou em contato com o meio intelectual e escreveu a maior parte de sua obra. O seu sentimento nativista e as saudades da família escreve: "estando a minha casa à hora da refeição, pareceu-me escutar risadas infantis da minha mana pequena. As lágrimas brotavam e fiz os primeiros versos de minha vida, que teve o título de Ave Maria".
Em Lisboa, foi representado seu drama Camões e o Jaú em 1856, que foi publicado logo depois.
Em 1857 retornou ao Brasil para trabalhar no armazém de seu pai. Isso, no entanto, não o afastou da vida boêmia,como todo bom romântico. Escreveu para alguns jornais e fez amizade com Machado de Assis. Escolhido para a recém fundada Academia Brasileira de Letras, tornou-se patrono da cadeira número seis.
Tuberculoso, retirou-se para a fazenda de seu pai, Indaiaçu, hoje sede do município que recebeu o nome do poeta, onde inutilmente buscou uma recuperação do estado de saúde, vindo ali a falecer. Foi sepultado conforme desejo onde nasceu, estando sua lápide no cemitério da secular Capela de São João Batista, em Barra de São João, junto ao túmulo do pai. Em 1859 editou as suas poesias reunidas sob o título de Primaveras.
Características gerais:
Espontâneo e ingênuo, de linguagem simples, tornou-se um dos poetas mais populares do Romantismo no Brasil em sua segunda fase.Sua poesia centra-se em dois temas:A saudade e e Lirismo amoroso.Amor à infância,sentimentalismo e glorificação do passado dão traços infantis,singelos e simples à sua poesia,que se torna extremente popular e adorada.Em suas obras podemos notar muita natureza e amor reprimido.Muitas delas se ambientam em chácaras e jardins,muitas vezes com a presença de animais,como pássaros e borboletas.
Obras
Suas obras foram Camões e o Jau, teatro (1856); Carolina, romance (1856); Camila, romance inacabado (1856); A virgem loura, Páginas do coração, prosa poética (1857); As primaveras (1859), foram reunidas na Obras de Casimiro de Abreu, edição comemorativa do centenário do poeta.
Seus versos mais famosos estão no poema Meus oito anos.
Morte (Hora de Delírio)
Amiga morte, vem. Tu és o termo
De dous fantasmas que a existência formam,
— Dessa alma vã e desse corpo enfermo.
Pensamento gentil de paz eterna,
Amiga morte, vem. Tu és o nada,
Tu és a ausência das moções da vida,
do prazer que nos custa a dor passada.
Pensamento gentil de paz eterna
Amiga morte, vem. Tu és apenas
A visão mais real das que nos cercam,
Que nos extingues as visões terrenas.
Nunca temi tua destra,
Não vou o vulgo profano;
Nunca pensei que teu braço
Brande um punhal sobr'humano.
Nunca julguei-te em meus sonhos
Um esqueleto mirrado;
Nunca dei-te, pra voares,
Terrível ginete alado.
Nunca te dei uma foice
Dura, fina e recurvada;
Nunca chamei-te inimiga,
Ímpia, cruel, ou culpada.
Amei-te sempre: — pertencer-te quero
Para sempre também, amiga morte.
Quero o chão, quero a terra, - esse elemento
Que não se sente dos vaivens da sorte.
Para tua hecatombe de um segundo
Não falta alguém? — Preencha-a comigo:
Leva-me à região da paz horrenda,
Leva-me ao nada, leva-me contigo.
Miríades de vermes lá me esperam
Para nascer de meu fermento ainda,
Para nutrir-se de meu suco impuro,
Talvez me espera uma plantinha linda.
Vermes que sobre podridões refervem,
Plantinha que a raiz meus ossos fera,
Em vós minha alma e sentimento e corpo
Irão em partes agregar-se à terra.
E depois nada mais. Já não há tempo,
nem vida, nem sentir, nem dor, nem gosto.
Agora o nada — esse real tão belo
Só nas terrenas vísceras deposto.
Facho que a morte ao lumiar apaga,
Foi essa alma fatal que nos aterra.
Consciência, razão, que nos afligem,
Deram em nada ao baquear em terra.
Única idéia mais real dos homens,
Morte feliz — eu quero-te comigo,
Leva-me à região da paz horrenda,
Leva-me ao nada, leva-me contigo.
Também desta vida à campa
Não transporto uma saudade.
Cerro meus olhos contente
Sem um ai de ansiedade.
E como um autômato infante
Que ainda não sabe mentir,
Ao pé da morte querida
Hei de insensato sorrir.
Por minha face sinistra
Meu pranto não correrá.
Em meus olhos moribundos
Terrores ninguém lerá.
Não achei na terra amores
Que merecessem os meus.
Não tenho um ente no mundo
A quem diga o meu - adeus.
Não posso da vida à campa
Transportar uma saudade.
Cerro meus olhos contente
Sem um ai de ansiedade.
Por isso, ó morte, eu amo-te e não temo:
Por isso, ó morte, eu quero-te comigo.
Leva-me à região da paz horrenda,
Leva-me ao nada, leva-me contigo.
Junqueira Freire - Segunda fase do romantismo brasileiro
Junqueira Freire
Em 1849 matriculou-se no Liceu Provincial, onde cursou Humanidades e se destacou como um excelente aluno, grande leitor e poeta. Por pressões familiares e motivado pelas inconstâncias da própria vida, ingressou na "Ordem dos Beneditinos" dois anos mais tarde, em 1851,tornando se frade.
Nas clausuras do Mosteiro de São Bento de Salvador, o jovem Junqueira Freire não manifestava a menor vocaçãopara ser monge. Este período de sua vida foi repleto de amarguras, revoltas e arrependimentos pela decisão irrevogável que tomara. Porém,no mosteiro foi onde ele pôde fazer suas leituras preferidas e dedicar-se a escrever poemas, além de atuar como professor .
No ano de 1853 pediu a secularização que seria outorgada apenas no ano seguinte. Este recurso que lhe permitiria libertar-se das disciplinas monásticas, embora ainda permanecesse sacerdote por força dos votos perpétuos. Assim, recolheu-se a casa de sua mãe onde redigiu uma breve autobiografia, que manifestava um agudo senso de auto-análise. Paralelamente, dedicou-se a reunir uma coletânea de seus versos, que viria a ser intitulada Inspirações do Claustro. Esta obra foi impressa na Bahia pouco tempo antes de sua morte, ocorrida em 24 de junho de 1855, aos 23 anos, motivada pelas enfermidades cardíacas de que sofreu por toda a vida.
Características Gerais:
Foi um poeta extremamente cotraditório, onde seus temas se dividem entre o monge e entre a morte.O teor complexo de sua mensagem poética, comum aos Românticos e vulnerável à penumbra do segundo período da geração Romântica no Brasil é evidente. Alguns tópicos como sua curta e sofrida passagem no mosteiro, forneceu-lhe os temas mais freqüentes dos seus sofridos versos. Daí provieram as características principais de sua personalidade jovial, porém conflitante.
Em suas poesias também podemos ver o horror ao celibato; o desejo reprimido que o perturbava e aguçava o sentimento de pecado entre a oração e a heresia; a revolta contra a regra, contra o mundo e contra si; o remorso e, como conseqüência, na obsessão da morte. Uma torrente de ideais comprimidos às celas do mosteiro, externado mas não suprimido. Além de um sentimento brasileiro que beirava o ufanismo, e uma tendência antimonárquica, social e liberal.Esse foi Junqueira Freire.
Suas principais obras foram:
Inspirações do Claustro (1855)
Elementos de Retórica Nacional (1869)
Obras, edição crítica por Roberto Alvim, 3 vols. (1944)
Junqueira Freire, organizado por Antonio Carlos Vilaça (Coleção Nossos Clássicos, n. 66); Desespero na Solidão, organizado por Antonio Carlos Vilaça (1976)
Obra Poética de Junqueira Freire (1970).
25 de out. de 2008
Gonçalves Dias
Gonçalves Dias
Breve biografia – Nasceu no dia 10 de agosto de 1823,em Caxias(MA).Filho de português e mestiça.Com a morte do pai é enviado pela madrasta para Coimbra para estudar direito, retornando em 1845, após bacharelar-se. Mas antes de retornar participou dos grupos medievistas da Gazeta Literária e de O Trovador, compartilhando das idéias românticas de Almeida Garrett, Alexandre Herculano e Antonio Feliciano de Castilho. Foi nesse período que o poeta inspira-se para escrever a Canção do exílio e parte dos poemas de "Primeiros cantos" e "Segundos cantos"; o drama Patkull; e "Beatriz de Cenci", que foi rejeitado por sua condição de texto "imoral" pelo Conservatório Dramático do Brasil.
No ano seguinte ao seu retorno conheceu aquela que seria sua grande musa inspiradora: Ana Amélia Ferreira Vale. Várias de suas peças românticas, inclusive “Ainda uma vez - Adeus” foram escritas para ela. Nesse mesmo ano viajou para o Rio de Janeiro, então capital do Brasil, onde trabalhou como professor de história e latim do Colégio Pedro II, além de ter sido jornalista, publicando crônicas, folhetins teatrais e críticas literárias. Gonçalves Dias pediu Ana Amélia em casamento em 1852, mas a família dela, em virtude da ascendência mestiça do escritor, refutou veementemente o pedido.
No mesmo ano retornou ao Rio de Janeiro, onde casou-se com Olímpia da Costa. Logo depois foi nomeado oficial da Secretaria dos Negócios Estrangeiros. Passou os quatro anos seguintes na Europa realizando pesquisas em prol da educação nacional. Voltando ao Brasil foi convidado a participar da Comissão Científica de Exploração, pela qual viajou por quase todo o norte do país.Durante essa viagem surge o contato de Gonçalves Dias com a língua e os costumes indígenas,que muito influenciaram sua poesia.
Voltou à Europa em 1862 para um tratamento de saúde. Não obtendo resultados retornou ao Brasil em 1864 no navio Ville de Boulogne, que naufragou na costa brasileira; salvaram-se todos, exceto o poeta que foi esquecido agonizando em seu leito e se afogou.
Caraacterísticas Gerais
Destacou-se em nossa literatura como poeta saudosista,lírico amoroso e indianista. Se por um lado deve-se a Gonçalves de Magalhães a introdução do Romantismo no Brasil, por outro, deve-se a Gonçalves Dias a sua consolidação. Isso porque o poeta trabalhou com maestria todas as características iniciais da primeira fase do Romantismo brasileiro. De sua obra, geralmente dividida em lírica, medieval e nacionalista, destacam-se "I-juca Pirama", "Os Tibiramas" e "Canção do Tamoio".
Romantismo - Romantismo No Brasil
Assim como o romantismo de Portugal,a poesia romântica brasileira se divide em três fases.
1ºgeração: Geração nacionalista,que valorizava o índio e a natureza do Brasil.Possui traços árcades de udealização e um pouco de subjetivismo.
O autor da primeira geração é Gonçalves Dias
2ºgeração:A segunda geração também é conhecida como Mal do Século.É a fase negra do romantismo.Marcada por profundo pessismismo,obsessão pela morte,noturnismo,satanismo,paixões que acabam em tragédia,tudo isso ambientado num ambiente boêmio.
Os principais autores do Mal do século brasileiro são: Álvares de Azevedo ,Casimiro de Abreu,Junqueira Freire e Fagundes varela
3ºgeração:Condoreirismo:ânsia de liberdade,poesia social,oratória e reivindicatoria,abolicionismo.
Autor:Castro Alves
Júlio Dinis
Joaquim Guilherme Gomes Coelho (Porto, 14 de Novembro de 1839 – Porto, 12 de Setembro de 1871) foi um médico e escritor português da última fase romântica portuguesa. Ele foi também o criador do romance contemporâneo,e seus tipos foram muito bem criados,com um pequeno toque de humor e uma pequena deformação caricatural em seus personagens.
Suas tramas são intrincadas e muitas vezes complexas ,às vezes un tanto quanto parecidas com as de Castelo Branco,mas as obras se diferem pois Júlio é mais um ‘’romancista de namoros’.
Sofria de tuberculose, e devido a essa doença foi viver para zonas rurais e lá onde tomou conhecimento da vida das gentes do campo, principal tema da suas obras, onde demonstrava uma grande preocupação pela descrição realista das aldeias e das pessoas, assim como dos seus problemas sociais.
Morreu em 1871, com 31 anos vítima da tuberculose, tal como sua mãe e os seus dois irmãos.
Obras
- As Pupilas do Senhor Reitor (1867)
- A Morgadinha dos Canaviais (1868)
- Uma Família Inglesa (1868)
- Serões da Província (1870)
- Os Fidalgos da Casa Mourisca (1871)
- Poesias (1873)
- Inéditos e Dispersos (1910)
- Teatro Inédito (1946-1947)
Sua obra mais famosa é As Pupilas do Senhor Reitor (1867),que foi retratada em novela pelo SBT em 1994 e 1995,tendo boa aceitação pelo público. Depois a novela foi reprisada à tarde entre 7 de maio e 3 de agosto de 2007 compactada em 65 capítulos.
João de Deus de Nogueira Ramos
Em 1876, perante a descrença em que caíra o Método Português de Castilho, João de Deus envolveu-se nas campanhas de alfabetização, escrevendo a Cartilha Maternal, um novo método de ensino da leitura, que o haveria de distinguir como pedagogo.A obra foi recebida de forma encomiástica, sendo saudada como utilíssima e genial pelos principais intelectuais da época, entre
os quais Alexandre Herculano e Adolfo Coelho.
Este método, relativamente inovador na época, foi dois anos depois, e por proposta do deputado Augusto Lemos Álvares Portugal Ribeiro, aprovado como o método nacional de aprendizagem da escrita da língua portuguesa. Graças a esta decisão, João de Deus teria a nomeação vitalícia de Comissário Geral da Leitura para essa forma de ensinar, com uma pensão anual de 900$000 réis.
Apesar da fama, o método da Cartilha Maternal tinha adversários e pouco depois da homenagem nacional feitaa a ela e a seu autor, por iniciativa de Joaquim Pedro de Oliveira Martins, o Ministério do Reino decidiu mandar retirar das salas de aula os quadros da Cartilha. Pouco depois desta polémica decisão, João de Deus caiu doente com uma enfermidade cardíaca.
João de Deus veio a faleceu em Lisboa em 11 de Janeiro de 1896.
O amor era sua temática constante.Usando uma linguagem sóbria,límpida,ele retoma a tradição do lirismo amoroso e da lírica trovadoresca sem se apegar ao Ultra-Romantismo.Sempre procurava buscar o sentimento amoroso na sua pureza máxima, de forma um tanto quanto abstrata.Grande parte da sua obra poética está presente em Flores do Campo (publicada em 1868), Folhas Soltas (1876) e Campos de Flores. Esta última obra, publicada em 1893, além de conter outros poemas, engloba também o conteúdo de "Flores do Campo" e "Folhas Soltas", funcionando como uma colectânea da sua obra poética.
1 de out. de 2008
A TI
Oh! quão formoso me surge o dia
Lá quando a noite se inclina ao mar,
Quando na aurora que me extasia,
Teu belo rosto cuido avistar!
Não sei que esp'rança jamais sentida
Então me adeja no peito aqui;
E que na aurora saúdo a vida,
Outrora escura, sem luz, sem ti.
Correm as horas, a noite avança,
A lua brilha com meigo alvor;
Então minha alma, que em paz descansa
Divaga em sonhos d'ignoto amor.
No véu d'estrelas, na branca lua
Meus olhos buscam olhos que eu vi,
E o pensamento longe flutua,
E uma saudade revoa a ti.
Soares de passos - Segunda geração do romantismo em Portugal
28 de set. de 2008
DESEJO
Oh! quem nos teus braços pudera ditoso
No mundo viver,
Do mundo esquecido no lânguido gozo
D'infindo prazer.
Sentir os teus olhos serenos, em calma,
Falando d'além,
D'além! duma vida que sonha minha alma,
Que a terra não tem.
Eu dera este mundo, com tudo o que encerra
Por tal galardão:
Tesouros, e glórias, os tronos da terra,
Que valem, que são?
A sede que eu tenho não morre apagada
Com tal aridez:
Pudesse eu ganhá-los, e iria seu nada
Depor a teus pés.
E só desejando mais doce vitória,
Dizer-te: eis aqui
Meu ceptro e ciência, tesouros e glória:
Ganhei-os por ti.
A vida, essa mesma daria contente,
Sem pena, sem dor,
Se um dia embalasses, um dia somente,
Meu sonho d'amor.
Isenta do laço que ao mundo nos prende,
A vida que vale?
A vida é só vida se o amor nela acende
Seu doce fanal.
Aos mundos que eu sonho pudesse eu contigo,
Voando, subir;
Depois que importava? depois no jazigo
Sorrira ao cair.
Soares de passos - 2º Geração romântica Portuguesa
27 de set. de 2008
Camilo Castelo Branco
Camilo Castelo Branco
Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco foi um escritor português. Nasceu em Lisboa, no Largo do Carmo, a 16 de Março de 1825.Foi um escritor português da terceira fase romântica de Portugal, além de cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor.Teve uma vida atribulada, passional e impulsiva. Uma vida tipicamente romântica.Foi um escritor da segunda fase do romantismo em portugal.
De uma família da aristocracia de província, era filho de Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco.Foi registrado como "filho de mãe incógnita", pelo que se diz, porque o seu pai e a sua avó não queriam que o nome Castelo Branco estivesse envolvido com alguém de tão humilde condição,pois sua mãe não se casou com seu pai.
Foi órfão de mãe quando tinha um ano de idade e de pai aos dez anos, o que lhe criou um carácter de eterno insatisfeito com a vida. Estando órfão, foi recebido por uma tia de Vila Real, e depois por uma irmã mais velha, Carolina Rita Botelho Castelo Branco, em Vilarinho de Samardã, em 1839, recebendo uma educação irregular através de dois padres de província. Como era uma criança sensível e muito inteligente, vai sofrer grandes perturbações com todos os acontecimentos da sua infância. Na sua adolescência formou-se lendo os clássicos portugueses e latinos, literatura eclesiástica e em contacto com a vida ao ar livre transmontana.
Com apenas dezesseis anos (1841), Camilo casa com Joaquina Pereira de França e instala-se em Friúme (Ribeira de Pena). O casamento precoce parece ter sido resultado de uma mera paixão juvenil, não tendo resistido muito tempo. No ano seguinte prepara-se para ingressar na Universidade, indo estudar com o Padre Manuel da Lixa, em Granja Velha.
O seu carácter instável e irrequieto leva-o a amores tumultuosos Logo ele vai viver com Patrícia Emília.quando publicou n'O Nacional, correspondências contra José Cabral Teixeira de Morais, governador civil. Devido a esta desavença é espancado pelo ‘’Olhos-de-Boi’’, capanga do governador. Camilo abandona Patrícia nesse mesmo ano, fugindo para casa da irmã, residente agora em Covas do Douro.
Camilo tenta então o curso de medicina no Porto que não conclui, optando depois por Direito. A partir de 1848 faz uma vida de boêmia repleta de paixões, repartindo o seu tempo entre os cafés e os salões burgueses, dedicando-se entretanto ao jornalismo.
Apaixona-se por Ana Plácido, e quando esta se casa, tem, de 1850 a 1852, uma crise de misticismo, chegando a frequentar o seminário que depois abandona. Ana Plácido tornara-se mulher de um negociante de seu nome, Pinheiro Alves, um brasileiro que o inspira como personagem em algumas das suas novelas, muitas vezes com carácter depreciativo. Seduz e rapta Ana Plácido e, depois de algum tempo a monte, são capturados pelas autoridades e depois julgados. Naquela época o caso emocionou a opinião pública pelo seu conteúdo tipicamente romântico do amor contrariado, que se ergue à revelia das convenções e imposições sociais. Presos na cadeia da relação do Porto, escreveu Memórias do Cárcere, tendo conhecido o famoso delinquente Zé do Telhado. Depois de absolvidos do crime de adultério (curiosamente, o juiz que os absolveu era pai de outra grande figura das letras, Eça de Queirós), Camilo e Ana Plácido passam a viver juntos, contando ele trinta e oito anos de idade.
Entretanto, Ana Plácido tem um filho, teoricamente do seu antigo marido, ao que se somam mais dois de Camilo. Com uma família tão numerosa para sustentar Camilo vai escrever a um ritmo alucinante.
Quando o ex-marido de Ana Plácido, falece em 1863, o casal vai viver para a sua casa, em São Miguel de Seide. No mesmo ano, nasce em Lisboa o segundo filho do casal, Jorge, que viria a criar-lhe sérios problemas, com o seu alcoolismo crônico.No ano seguinte, já instalados em São Miguel de Ceide, nasce o terceiro filho, Nuno, que viria, também ele, a manifestar comportamentos desregrados durante a juventude. Ao longo destes anos, Camilo desenvolve uma intensa actividade literária, ganhando notoriedade pública como escritor.Posteriormente, a 9 de Março de 1888 casa-se finalmente com Ana Plácido.
Camilo passa os últimos anos da sua vida ao lado de Ana Plácido, não encontrando a estabilidade emocional que ansiava. As dificuldades financeiras, e os filhos dão-lhe enormes preocupações: considera Nuno irresponsável e Jorge sofre de uma doença mental.A progressiva e crescente cegueira (causada pela sífilis), impede Camilo de ler e de trabalhar capazmente, o que o mergulha num enorme desespero.
Depois da consulta a um oftalmologista que lhe confirmara a gravidade do seu estado, em desespero desfere um tiro de revólver na têmpora direita, ás 15h15 de 1 de Junho de 1890, acabando por morrer às 17h00 desse mesmo dia.Quase duas horas sofrendo até a morte.
A obra de Camilo é, em grande parte, um reflexo do seu próprio percurso biográfico. A agitação, a instabilidade, os raptos, o conflito entre a paixão e a razão que encontramos nas novelas de Camilo, encontramo-los igualmente na vida de Camilo. Por outro lado, como profissional das letras que era, Camilo não pôde ignorar os apelos do seu público, que os editores traduziam sob a forma de pressões incontornáveis. Camilo vivia da escrita, e para isso precisava vender, o que implicava obedecer de alguma maneira às solicitações do público leitor. É essa sujeição aos gostos dominantes que explica também a "conversão" naturalista, detectável nas últimas obras de Camilo.
Principais Obras:
Poesia Satírica
- Pundonores desagravados
Novela
- Anátema
- A queda de um anjo
- Onde está a felicidade?
- Amor de Perdição
- Amor de Salvação
- Coração, cabeça e estômago
- Novelas do Minho
- Eusébio Macário
- A corja
- A brasileira de Prazins
- A sua obra mais famosa é Amor de Perdição.Conta a história de amor entre Simão e Teresa,separados por famílias rivais.
SAUDADE
Fulgurava tranquilo nessa noite
Em que o adeus lhe murmurei sentido;
Quando, após os momentos preciosos
Em que inda pude vê-la, inda escutá-la,
Afoutando meu ânimo indeciso,
Sua trémula voz me disse: parte...
Entanto que uma lágrima furtiva
Lhe escorria na face melindrosa,
Mais pálida que a tua...
Astro saudoso
Astro da solidão, quanto me aprazes!
Eu amo o teu silêncio, amo o teu brilho,
Mais que do sol os importunos raios.
Que me importa desse astro a luz e a vida,
Se a luz e a vida me ficaram longe?
Se em meio do rumor que o dia espalha,
A voz não ouço que responde à minha?
Estes vales, e selvas, estes montes,
À luz do dia, são talvez formosos;
Mas não é este o ar que ela respira,
Não são estes os sítios que ela encanta
Com seu mago sorriso. O dia é mudo;
Porém tu surges, solitária amiga,
Tu vens falar-me dela, astro saudoso.
Lua, desse áureo trono onde campeias,
Tu vês os sítios caros. Que faz ela?
Acaso; como pomba fatigada,
Repousa adormecida? Verte, ó lua,
Verte-lhe em torno o perfumado alento
Que a noite rouba às orvalhadas flores.
Mas não; talvez agora em mim pensando,
Agora mesmo sobre o teu semblante
Ela fixa também os olhos tristes,
nossos pensamentos, nossas vistas
Se confundem em ti. Oh! não podermos,
Adejando como eles nesse espaço,
Embora por momentos, confundir-nos
Em teu regaço, deslembrando a ausência!
Ao menos, astro amigo, ordena, ordena
Que o anjo da saudade, que em ti mora,
Desça, e lhe diga o que minha alma sente.
Oh! quando solto d'importunos laços,
Demandando outros céus, hei-de já livre
Vê-la, ouvi-la, falar-lhe? Quem o sabe?
Mas tu entanto, confidente meiga.
Em cada noite vem falar-me dela;
E em meu peito sombrio e solitário
Derrama, envolto no teu doce brilho,
O bálsamo suave da esperança.
Assim possas tu ser, benigna deusa,
A invocada dos tristes; e se acaso
Amas também. se algum remoto lago
Entre floridas margens escondido
Te prende as feições, possas tu sempre
No cristalino azul das suas águas
Sem nuvens espelhar teu rosto ameno!
Soares de Passos - Segunda geração do romantismo Português (poema presente em sua única obra - Poesias)
O Noivado Do Sepulcro
Vai alta a lua! na mansão da morte
Já meia-noite com vagar soou;
Que paz tranquila; dos vaivéns da sorte
Só tem descanso quem ali baixou.
Que paz tranquila!... mas eis longe, ao longe
Funérea campa com fragor rangeu;
Branco fantasma semelhante a um monge,
D'entre os sepulcros a cabeça ergueu.
Ergueu-se, ergueu-se!... na amplidão celeste
Campeia a lua com sinistra luz;
O vento geme no feral cipreste,
O mocho pia na marmórea cruz.
Ergueu-se, ergueu-se!... com sombrio espanto
Olhou em roda... não achou ninguém...
Por entre as campas, arrastando o manto,
Com lentos passos caminhou além.
Chegando perto duma cruz alçada,
Que entre ciprestes alvejava ao fim,
Parou, sentou-se e com a voz magoada
Os ecos tristes acordou assim:
"Mulher formosa, que adorei na vida,
"E que na tumba não cessei d'amar,
"Por que atraiçoas, desleal, mentida,
"O amor eterno que te ouvi jurar?
"Amor! engano que na campa finda,
"Que a morte despe da ilusão falaz:
"Quem d'entre os vivos se lembrara ainda
"Do pobre morto que na terra jaz?
"Abandonado neste chão repousa
"Há já três dias, e não vens aqui...
"Ai, quão pesada me tem sido a lousa
"Sobre este peito que bateu por ti!
"Ai, quão pesada me tem sido!" e em meio,
A fronte exausta lhe pendeu na mão,
E entre soluços arrancou do seio
Fundo suspiro de cruel paixão.
"Talvez que rindo dos protestos nossos,
"Gozes com outro d'infernal prazer;
"E o olvido cobrirá meus ossos
"Na fria terra sem vingança ter!
- "Oh nunca, nunca!" de saudade infinda
Responde um eco suspirando além...
- "Oh nunca, nunca!" repetiu ainda
Formosa virgem que em seus braços tem.
Cobrem-lhe as formas divinas, airosas,
Longas roupagens de nevada cor;
Singela c'roa de virgínias rosas
Lhe cerca a fronte dum mortal palor.
"Não, não perdeste meu amor jurado:
"Vês este peito? reina a morte aqui...
"É já sem forças, ai de mim, gelado,
"Mas inda pulsa com amor por ti.
"Feliz que pude acompanhar-te ao fundo
"Da sepultura, sucumbindo à dor:
"Deixei a vida... que importava o mundo,
"O mundo em trevas sem a luz do amor?
"Saudosa ao longe vês no céu a lua?
- "Oh vejo sim... recordação fatal!
- "Foi à luz dela que jurei ser tua
"Durante a vida, e na mansão final.
"Oh vem! se nunca te cingi ao peito,
"Hoje o sepulcro nos reúne enfim...
"Quero o repouso de teu frio leito,
"Quero-te unido para sempre a mim!"
E ao som dos pios do cantor funéreo,
E à luz da lua de sinistro alvor,
Junto ao cruzeiro, sepulcral mistério
Foi celebrado, d'infeliz amor.
Quando risonho despontava o dia,
Já desse drama nada havia então,
Mais que uma tumba funeral vazia,
Quebrada a lousa por ignota mão.
Porém mais tarde, quando foi volvido
Das sepulturas o gelado pó,
Dois esqueletos, um ao outro unido,
Foram achados num sepulcro só.
Soares de Passos - (presente em sua única obra Poesias)
Segunda geração do romantismo Português. Esa poesia é um dos melhores momentos do poeta,que se debate em meio ao desalento,ao desânimo pessimista de quem sente a morte ao lado e vê apenas o lado fúnebe e morto das coisas.
Soares De Passos
Nasceu na média burguesia da cidade do Porto e viveu largas temporadas da infância com o pai ausente, fugido às perseguições que lhe moveram durante as guerras civis pelas suas ideias liberais, o que teria dado ao seu temperamento algo soturno. Tendo aprendido francês e inglês durante a juventude, ingressou na Universidade de Coimbra, em 1849, para cursar Direito.
Em Coimbra conviveu com outros estudantes do Porto, como Alexandre Braga, Silva Ferraz e Aires de Gouveia, com quem fundou, em 1851, a revista Novo Trovador. Em 1854, já formado, regressou ao Porto e, depois de uma passagem pelo Tribunal da Relação do Porto, decide dedicar-se exclusivamente à literatura, colaborando activamente nos jornais de poesia O Bardo (1852-1854) e A Grinalda (1855-1869) e preparando a edição em volume das suas Poesias (1856).
Sua fama foi muito ajudada por sua frequência dos salões portuenses e graças o bom acolhimento dos críticos, nomeadamente de Alexandre Herculano que, em carta, considerou Soares de Passos como "o primeiro poeta lírico português deste século" (referindo-se ao século XIX).
Pessimista e derrotista,compões poesias nefastas,sombrias,muitas vezes ambientadas em cemitérios.Apesar de seus exageros românticos,ele é classificado como um autêntico poeta,que viveu toda a dor e tristeza descritos em suas obras.Ele se dedicou simultaneamente a uma poesia delicada, reflexo da dor pessoal, do sentimento amoroso ou trágico e marcada pelo espectro real da morte (Soares de Passos sofria, desde jovem, de tuberculose,doença que acabou o matando precocemente aos trinta e quatro anos).
26 de set. de 2008
Minha Desgraça
Minha desgraça não é ser poeta,
Nem na terra de amor não ter um eco,
E meu anjo de Deus, o meu planeta
Tratar-me como trata-se um boneco...
Não é andar de cotovelos rotos,
Ter duro como pedra o travesseiro...
Eu sei... O mundo é um lodaçal perdido
Cujo sol (quem mo dera!) é o dinheiro...
Minha desgraça, ó cândida donzela,
O que faz que o meu peito blasfema,
É ter para escrever todo um poema
E não ter um vintém para uma vela.
(Mestre Álvares de Azevedo)- 2º geração do romantismo No brasil
O Monasticom
O Monge de Cister
Apresenta um clima de tragédia em meio questões religiosas e morais.Vasco da Silva,protagonista,faz 2 juramentos: Matar o homem que se casara com sua amada (Lopo Mendes) , e se vingar do homem que havia estuprado sua irmã,Beatriz.Ele mata Lopo Mendes,mas entra em um estado de arrependimento me depressão,que o levam a um monastério para se livrar da culpa.Após boatos de que O homem que havia estuprado sua irmã,Fernando Afonso, havia tido relações com sua amada,ele não consegue se livrar do ódio e acaba delatando Fernando,que morre na fogueira.Finalmente,depois de cumprir seu juramento,Vasco morre.
Eurico,o Presbítero
Fala sobre o Celibato.Ambientado na época da monarquia visigódica.Eurico,antigo fidalgo, vira Padre depois que o pai de sua amada lhe nega a mão.Ocorre a invasão árabe e ,durante ela,um tal de Cavaleiro Negro ganha fama durante a batalha.Este éo proprio Eurico,que salva sua amada.O amor renasce,mas o casamento é impedido pelo fato dele ser padre.Eurico acaba se suicidando e Sua amada,Hermengarda,enlouquece.
Alexandre Herculano
Com uma personalidade oposta à de Garrett,sóbrio,equilibrado,crítico,possui uma poesia carente de emoção e uma linguagem trabalhada,tendedo para a declamatório.Manteve o mesmo rigor de personalidade em suas obras:não permitiu que a imaginação as invadisse e pesquisou muito sobre documentos históricos para criar suas intrigas românticas.Infelizmente seu lado ''historiador'' acabou ''afogando'' suas obras devido a excessos de história ,detalhes demasiados de narração minuciosa e às vezes cansativa.
Herculano abordou vários períodos da historia da Península Ibérica. É evidente a preferência do autor pela Idade Média, época em que, segundo ele, se encontravam as raízes da nacionalidade portuguesa.
Trabalhou com Garrett nas Viagens na Minha Terra, o ponto inicial para o desenvolvimento da prosa de ficção moderna em Portugal. Assim, a partir disto, as narrativas históricas foram gradativamente enfocando épocas cada vez mais próximas do século XIX.
Suas principais obras são: O Monasticom (formado pelo Monge de Cister e por Eurico,o Presbítero),O bobo,Lendas e narrativas,História de Portugal, e direção do monumental Portugaliale Monumenta Historia.
Juntamente com Almeida Garrett, é considerado o introdutor do Romantismo em Portugal, desenvolvendo os temas da incompatibilidade do homem com o meio social.
Faleceu em sua quinta de Vale de Lobos (Santarém) dia 13 de Setembro de 1877.