28 de out. de 2008

Junqueira Freire

Luís José Junqueira Freire (Salvador, 31 de dezembro de 1832 — Salvador, 24 de junho de 1855) foi um poeta brasileiro da segunda geração Romancista.
Em 1849 matriculou-se no Liceu Provincial, onde cursou Humanidades e se destacou como um excelente aluno, grande leitor e poeta. Por pressões familiares e motivado pelas inconstâncias da própria vida, ingressou na "Ordem dos Beneditinos" dois anos mais tarde, em 1851,tornando se frade.

Nas clausuras do Mosteiro de São Bento de Salvador, o jovem Junqueira Freire não manifestava a menor vocaçãopara ser monge. Este período de sua vida foi repleto de amarguras, revoltas e arrependimentos pela decisão irrevogável que tomara. Porém,no mosteiro foi onde ele pôde fazer suas leituras preferidas e dedicar-se a escrever poemas, além de atuar como professor .

No ano de 1853 pediu a secularização que seria outorgada apenas no ano seguinte. Este recurso que lhe permitiria libertar-se das disciplinas monásticas, embora ainda permanecesse sacerdote por força dos votos perpétuos. Assim, recolheu-se a casa de sua mãe onde redigiu uma breve autobiografia, que manifestava um agudo senso de auto-análise. Paralelamente, dedicou-se a reunir uma coletânea de seus versos, que viria a ser intitulada Inspirações do Claustro. Esta obra foi impressa na Bahia pouco tempo antes de sua morte, ocorrida em 24 de junho de 1855, aos 23 anos, motivada pelas enfermidades cardíacas de que sofreu por toda a vida.

Características Gerais:
Foi um poeta extremamente cotraditório, onde seus temas se dividem entre o monge e entre a morte.O teor complexo de sua mensagem poética, comum aos Românticos e vulnerável à penumbra do segundo período da geração Romântica no Brasil é evidente. Alguns tópicos como sua curta e sofrida passagem no mosteiro, forneceu-lhe os temas mais freqüentes dos seus sofridos versos. Daí provieram as características principais de sua personalidade jovial, porém conflitante.
Em suas poesias também podemos ver o horror ao celibato; o desejo reprimido que o perturbava e aguçava o sentimento de pecado entre a oração e a heresia; a revolta contra a regra, contra o mundo e contra si; o remorso e, como conseqüência, na obsessão da morte. Uma torrente de ideais comprimidos às celas do mosteiro, externado mas não suprimido. Além de um sentimento brasileiro que beirava o ufanismo, e uma tendência antimonárquica, social e liberal.Esse foi Junqueira Freire.

Suas principais obras foram:
Inspirações do Claustro (1855)
Elementos de Retórica Nacional (1869)
Obras, edição crítica por Roberto Alvim, 3 vols. (1944)
Junqueira Freire, organizado por Antonio Carlos Vilaça (Coleção Nossos Clássicos, n. 66); Desespero na Solidão, organizado por Antonio Carlos Vilaça (1976)
Obra Poética de Junqueira Freire (1970).

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