1 de out. de 2008

A TI


Oh! quão formoso me surge o dia
Lá quando a noite se inclina ao mar,
Quando na aurora que me extasia,
Teu belo rosto cuido avistar!
Não sei que esp'rança jamais sentida
Então me adeja no peito aqui;
E que na aurora saúdo a vida,
Outrora escura, sem luz, sem ti.

Correm as horas, a noite avança,
A lua brilha com meigo alvor;
Então minha alma, que em paz descansa
Divaga em sonhos d'ignoto amor.
No véu d'estrelas, na branca lua
Meus olhos buscam olhos que eu vi,
E o pensamento longe flutua,
E uma saudade revoa a ti.

Soares de passos - Segunda geração do romantismo em Portugal

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